[Por trás dos Games] Perguntas e respostas pra variar um pouco – Parte 2
terça-feira, abril 21, 2009 8:00Raphael Lopes Baldi, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aquiris Game Experience, Graduando em Ciência da Computação na UFRGS, Programador a 13 anos.
Salve leitores do AperteF5!
Semana passada respondi algumas perguntas que ficaram em aberto depois dos podcasts. Essa semana responderei mais algumas e apresentarei uma grande mudança na coluna. A partir de agora ela será publicada em dois dias: terça-feira e sexta-feira, com artigos menores em cada um dos dias. Recebi uma porção de emails pedindo que eu reduzisse o tamanho dos posts e aumentasse sua frequência e, conversando com o Rafael Martins, decidimos que era melhor mesmo. Optamos pela sexta-feira por ser um dia chave na semana. Normalmente poderei colocar alguns assuntos interessantes que ocorrerão ao longo da semana (ou apenas continuar o assunto da terça-feira). Espero que gostem do novo formato, pois acredito que será mais produtivo a partir de agora. Para hoje tenho duas perguntas a responder, são elas:
Nil Santana: Por que a produção de grandes títulos de jogos para PC fora da plataforma Windows é tão pequena, ou pouco divulgada, principalmente em Linux?
Nil, acredito que esse fato esteja intimamente ligado a forma de distribuição de softwares e à filosofia da plataforma Linux. Muitas empresas acreditam que é inviável desenvolver jogos para essa plataforma pelo fato de que a maioria dos usuários de Linux exige que suas aplicações possuam código aberto. Não sei até que ponto isso é verdade mas particularmente, enquanto usuário de sistemas Linux, na maioria das vezes opto por softwares gratuitos e de código fonte aberto. Produzir um jogo com código aberto é complexo pois normalmente tais códigos envolvem ferramentas complexas desenvolvidas pelas empresas, como sistemas otimizados de renderização de imagens ou sistemas precisos de processamento de física. O segundo fator também está ligado à filosofia da plataforma: a maioria dos usuários de Linux não gostam de gastar dinheiro com software (apesar de que muitos não vêem problemas em doar pequenas quantias às empresas que os produzem). Infelizmente, empresas de grande porte, que são as capazes de desenvolver grandes títulos, como citastes, não podem viver de doações. O Linux poderia ser uma segunda plataforma e oferecer jogos mais baratos ou até mesmo gratuitos, aceitando doações dos usuários, mas como se sentiriam os jogadores do Windows e do Mac, que pagaram pelos jogos? O terceiro ponto diz respeito aos sistemas de produção. Atualmente a grande maioria dos jogos são desenvolvidos para Windows, sendo que mais recentemente podemos ver alguns títulos sendo produzidos para o Mac OS. Pensando em criação de versões para o Linux, vemos que não é algo tão simples, pois existem diversas distribuições, cada uma com suas peculiaridades, o que torna complexo o processo de adaptação dos jogos para o Linux. O Windows e o Mac OS são plataformas – por mais que muitos digam o contrário – sólidas de desenvolvimento e geralmente compensam os custos de produção das versões. Como tua pergunta se refere às plataformas diferentes do Windows, podemos ver que já existe uma preocupação da indústria em desenvolver jogos para outras plataformas, principalmente o Mac OS, como é visível na Apple Games. Acredito que, cedo ou tarde, o Linux terá sua vez no universo dos grandes títulos.
Importante lembrar do Cedega, que tem possibilitado (e facilitado) o desenvolvimento de jogos para o Linux (e Mac OS). Pra quem não conhece, ele é uma implementação comercial da API do Windows no Linux. Ele deriva do WINE (Wine Is Not an Emulator – Wine Não É um Emulador) e tem foco em jogos. A TransGaming (similar ao Steam) distribui jogos compatíveis com o sistema.
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Gudinho: Queria saber porque jogos como The Sims por exemplo são baratinhos enquanto têm outros caros pra cacete?
Gudinho, o The Sims é um caso extremo de otimização de custos de produção, pois trata-se de um jogo e uma quantidade grande de atualizações. Produzir um jogo é caro e demanda muito tempo, pois normalmente é necessário que se desenvolvam diversas ferramentas que auxiliam o trabalho e outras que tornem o jogo mais realista ou façam com que ele rode mais rápido nas máquinas. Quando se desenvolve uma atualização, a imensa maioria dos sistemas já estão prontos, ou seja, pode-se reduzir o tempo e, consequentemente, os custos de produção. Outro ponto importante no The Sims é que ele é um jogo extremamente popular, ou seja, o desenvolvimento pode ser organizado de forma que se saiba quando as atualizações serão lançadas, quantas atualizações serão lançadas e em que países, podendo-se, assim, distribuir os custos dentre as atualizações, reduzindo o valor final individual de cada uma delas. Outro fator que acaba por elevar os preços dos jogos diz respeito a qualificação das equipes de produção: quanto mais qualificada for a equipe, mais altos serão os salários e mais caro será o desenvolvimento do título. Geralmente o preço compensa o resultado
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Por hoje vou ficando por aqui e espero que tenha esclarecido as dúvidas e receber mais por email ou nos comentários.
Grande abraço a todos.
Dúvidas, sugestões e reclamações – raphaelbaldi@apertef5.com.br.
























Nil Santana ( são paulo , caduco) escreveu:
21 de abril de 2009 as 13:34
Valeu pela resposta e pelas dicas Raphael
Mas ainda fiquei pensando em algumas coisa que você falou, Software livre não significa Software grátis. Quanto a preferir não pagar por produtos , não conheço ninguém que goste de pagar , se eu pudesse almoçar de graça todo dia seria uma festa rsrs
, mas falando sério., você mesmo tinha dito que um dos maiores problemas do desenvolvimento e distribuição de jogos , por exemplo no Brasil, era a pirataria o que não ocorre no software livre.
Por outro lado existem programas de grande empresas que não são livres e são muito utilizados na plataforma linux , como o Adobe reader, o Vmware, Skype , nesse caso a restrição ao uso de programas não livres fica para trás.
Por outro lado pagar por software é uma questão complicada, o que nos faz pagar por algo? quando eu tiro meu suado dinheiro do bolso para comprar algo eu penso no custo benefício que terei ao adquirir um serviço ou produto. Acho que eu pagaria, desde que o valor fosse razoável , para jogar hallo no Linux( ilusão claro , já que a Ms não ia dar um gostinho desses) Crisis ou Devil may cry, Alone in the dark entre outros.
Voltando ao tema de pirataria essa semana, comentei com colegas que estava pensando em comprar o dvd de Matrix e todos riram de mim, nenhum deles usa Linux, disseram por que eu não baixava direto. minha ingênua resposta.
-Porquê tem coisa que valem a pena pagar para ter.
Mas vou ficar na torcida para que os desenvolvedores de jogos consigam encontrar um modelo de negócios no qual possam ganhar dinheiro vendendo para os usuários de Linux quem sabe no modelo SaaS ….( talvez a Aquiris descubra o ovo de colombo e seja a primeira a começar a ganhar dinheiro com esse mercado sem concorrentes)